Festival Politica

O Festival Política regressa ao Cinema São Jorge no mês de Agosto, abrindo a programação do Lisboa na Rua.

A programação de quatro dias (13 a 16 de Agosto) inclui debates, filmes, performances, música e humor tendo o Ambiente como tema central.
Com as alterações climáticas no centro das reivindicações dos mais jovens e com os poderes públicos e económicos cada vez mais pressionados para mudarem as suas políticas em prol de um desenvolvimento mais sustentável, o festival dará especial atenção ao papel dos cidadãos como agente transformador, sem ignorar o impacto que a pandemia da covid-19 está a ter em todo o mundo.
Em 2020 o festival terá pela primeira vez a figura do país-foco, que será o Brasil, e que estará em destaque em vários momentos da programação.

13 de Agosto

18h00

A exploração da gente para a exploração da terra

Debate

Cerca de 40 milhões de pessoas em todo o mundo. 26 mil em Portugal. A necessidade de mão de obra intensiva leva um mundo de gente aos campos. Em busca de uma vida melhor, milhares de imigrantes sujeitam-se a trabalhos forçados, à exploração, tão intensiva como as culturas que fazem crescer. Que terra ficará para as gerações futuras? A que custo?

Moderação: Fumaça
Participam Inês Fonseca (Movimento Chão Nosso) e Inês Cabral (Investigadora em Migrações e Agricultura)
Com intérprete de Língua Gestual Portuguesa
Sala Manoel de Oliveira
M/12

19h00

Semba versus Petróleo

Oficina / performance

Angola está a passar por uma crise, em parte provocada pela baixa do preço do petróleo seu principal bem de exportação. O semba, género de música de dança angolano ajudou a construir o estado nação, entra agora em processo de patrimonialização ao abrigo das diretivas da convenção do património cultural imaterial da UNESCO 2003. Que património será mais sustentável para o futuro de Angola?

Com André Soares (jornalista/antropólogo/investigador), Galiano Neto (percussionista e compositor) e Chalo Correia (guitarrista e compositor).
Com intérprete de Língua Gestual Portuguesa
Sala 2
M/12

21h30

Vencedores dos Green Film Network Awards

Cinema

Mundo Perdido / Lost World, de Kalyanee Mam, 16’ – EUA

Enquanto Singapura retira areia das florestas de mangue do Camboja, a ameaça de extinção paira sobre um ecossistema, um modo de vida comunitário e o relacionamento de uma mulher com o seu lar.

 

Frota Fantasma / Ghost Fleet, de Shannon Service e Jeffrey Waldron, 90’ – EUA

A Frota Fantasma segue um pequeno grupo de ativistas que arriscam as suas vidas nas remotas ilhas da Indonésia para encontrar justiça e liberdade para os pescadores escravizados que alimentam o apetite insaciável do mundo por frutos do mar. Patima Tungpuchayakul, abolicionista tailandesa, comprometeu a sua vida a ajudar esses homens “perdidos” a voltar para casa. Diante de doenças, ameaças de morte, corrupção e complacência, a destemida determinação de Patima pela justiça inspira a sua nação e o mundo.

Parceria: Extensão Festival CineEco
Sala 3
M/12

14 de Agosto

18h00

O Ambiente pergunta

Debate

Cidadãos são convidados a posicionarem-se perante os vários desafios das alterações climáticas em conversa aberta no jardim. O debate é com todos e para todos.

Moderação: André Soares;
Dinamização: Embaixadores/as do Festival Política.
Com intérprete de Lingua Gestual Portuguesa
Sala Manoel de Oliveira
M/12

19h00

Saravá Palavrá

Performance

Uma performance imersiva e um ritual ‘palavro-espiritual’ com a força rítmica do candomblé e a beleza da palavra falada. Uma homenagem poética à cultura oral africana e à riqueza sonora da língua portuguesa. No mesmo espaço o público, o ator-performer, o batuque afro e a expressão rítmica do corpo transformam um conjunto de manifestações culturais de origem afro-brasileiras numa experiência poética, com o caráter exclusivo de um ritual cénico multidisciplinar cruzando as linguagens da palavra, da música e da dança.

Com Com Viton Araújo, André Dez e Marisa Paulo.
Com intérprete de Lingua Gestual Portuguesa
Sala 2
M/12

21h30

Sessão Olhar Portugal e o Mundo

Cinema

Sea Shepherd, de Débora Mendes e Mariana Soares, 5′ – Portugal

Uma rapariga serve peixe num restaurante até que este se esgote.

 

Mayday, de Miguel Gaspar, 7′ – Portugal

Mediterrâneo – um mar ou um cemitério? A partir do relato de um voluntário português que realizou missões de resgate marítimo a bordo de um navio de uma ONG alemã durante a atual crise de refugiados no Mediterrâneo, Mayday constrói uma narrativa visual, criando espaço para uma reflexão sobre o drama desta questão humanitária.

 

My Hero, de Danial Shah, 11′ – Portugal

Muhammad Irshad, 42 anos, deixou uma carreira bancária no Paquistão e emigrou para Portugal para proporcionar um futuro melhor ao seu filho Zeelain, de 12 anos. O filme explora as lutas da vida quotidiana de um imigrante cujo filho é o seu principal pilar e meio de integração.

 

We are Nature, de João Meirinhos, 5′ – Portugal

A Mongólia é um exemplo drástico dos perigos da desertificação e da redução das temperaturas durante o inverno, que forçam a população local a abandonar seu estilo de vida nómada tradicional e a mudar-se para uma capital problemática e poluída. É usada a técnica do timelapse como tentativa de transmitir uma mensagem de urgência global e, simultaneamente, um apelo à participação social e perseverança em relação à responsabilidade compartilhada no nosso habitat.

 

Eu não sou Pilatus, de Welket Bungué 11′ – Portugal

Isto é um manifesto. Para nós, entende-se perfeitamente. Este é o Estado em que nos tornámos. No entanto, queremos que os direitos civis sejam respeitados, mas continuamos a manifestar uma espécie de sentimento pelo outro aparentemente inusitado e distante.

 

Negrum3, de Diego Paulino, 20’ – Brasil

Propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um ensaio sobre negritude, identidade sexual e aspirações espaciais dos filhos da diáspora. Este será um ponto de partida para questionar o tema da visibilidade da população LGBTI negra em Portugal.

Sala 3
M/12

22h30

Venga Venga

Concerto / performance

Projeto de Denny Azevedo e Ricardo Don. No cenário cultural do Brasil são conhecidos como agitadores culturais envolvendo-se, dinamizado e organizando várias atividades que refletem as questões raciais e da discriminação. Residentes em Lisboa, rapidamente se envolveram com a nova cena musical da capital lisboeta onde têm uma residência mensal num dos clubs mais icónicos da cidade, o Musicbox. Em 2019 marcaram presença no MaMA Festival&Convention, em Paris, integrados na representação oficial de Portugal como Country Focus do Festival.

Sala 2
M/16

15 de Agosto

18h00

O que se passa com o Brasil?

Debate

Brasileiros a viver em Lisboa, das áreas da cultura, direitos humanos, jornalismo e ambiente, partilham as suas visões sobre o estado atual do Brasil.

Participam Diego Candido (mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologia no ISCTE-IUL, especialista jurídico e DJ)
Lidiane de Carvalho (advogada, investigadora em Direito do Ambiente e doutoranda em Democracia no Século XXI pelo CES – UC)
Lucas Rohan (jornalista e doutorando em Comunicação na Universidade Nova de Lisboa).
Com intérprete de Lingua Gestual Portuguesa
Sala 2
M/12

19h00

Sessão Brasil

Cinema

Câmera, tá ok, de Nathalia Oliveira

Documentário sobre a censura do cinema brasileiro no governo Bolsonaro

 

Reexistir, de Gabriela Lima

Ficção sobre uma distopia em que um regime militar é instaurado e mulheres presas são torturadas)

 

Todos nós moramos na rua, de Marcus Antonius Melo

Documentário sobre moradores de rua na cidade de Fortaleza/Ceará)

 

Iarinhas, de Pedro Serrano

Videoclipe da cantora Luiza Lian sobre os rios de grandes cidades como São Paulo que sofreram transformações e foram canalizados, o que gera inúmeras enchentes quando chove.

 

Espelho, de Josi Lopes

Videoclipe para refletir as raizes negras no Brasil, o movimento afrofuturista e o impacto em Portugal.

 

Açúcar, de Heráclito Lima e Danilo Godoy

Documentário/ensaio poético sobre imigração brasileira em Lisboa, arte, processos criativos, gentrificação, despejo e abandono de espaços.

 

Parceria: Segunda Segunda
Sala 3
M/12

21h30

O mundo segundo Diogo Faro

Espetáculo

Diogo Faro, também conhecido como o Sensivelmente Idiota, a solo para nos falar sobre o estado do mundo: dos direitos humanos ao ambiente, passando pelas discriminações e preconceito. Há razões para optimismo?

Com intérprete de Lingua Gestual Portuguesa
Sala Manoel de Oliveira
M/12

23h00

Beleza como vingança

Performance

Numa proposta híbrida e sensual, a dupla brasileira Tita Maravilha e Cigarra traz um live act cheio de ruídos e apelos cremosos. Corpos urgentes de mulheridades marginais e fúria travesti. Violência como linguagem, beleza como vingança.

Sala 2
M/16

16 de Agosto

19h00

Sessão Ativistas

Cinema

Allen, sacrifice zone, de Alejo Estrabou, 15′ – Argentina

Allen é uma cidade do Rio Negro, na Patagónia, com uma economia secular ligada à fruticultura, sendo o maior exportador de pêras do país. Em 2013, a área começou a ser palco de fracking, ou fraturamento hidráulico, uma técnica de exploração de gás com consequências irreversíveis na contaminação de água, alimentos e pessoas. Habitantes e vizinhos opuseram-se e obtiveram uma ordem judicial contra o fracking que foi revogada volvidos três meses pelo tribunal superior do Rio Negro. Desde então, foram instalados mais de 160 poços na área, poluindo a água, o ar e a terra, acarretando o fim de um modelo de desenvolvimento sustentável por um modelo extrativista destrutivo para o meio ambiente e a saúde da população. Rio Negro é transformado em uma zona de sacrifício. Consciência e organização coletiva são a única maneira de mudar esse destino.

 

Wantoks: Dance of Resilience in Melanesia, de Iara Lee, 20′

Em 2018, as Ilhas Salomão, no Pacífico Sul, receberam o Festival de Arte e Cultura da Melanésia, para celebrar os 40 anos de independência do local. Nos estados insulares vizinhos, a luta pela liberdade continua, pois a Papua Ocidental resiste à ocupação indonésia e os moradores da Nova Caledónia vivem sob o domínio francês. Em todos os países da Melanésia, os moradores enfrentam o desafio comum das mudanças climáticas, pois a subida do nível do mar ameaça engolir a terra e a tradição. Neste trágico contexto, os artistas locais usam os seus talentos para celebrar a sua cultura e chamar a atenção internacional para a situação das suas ilhas, com a esperança de estimular a solidariedade internacional e promover acções colectivas contra os perigos de um mundo em aquecimento.

 

Ilham Tohti, de Yuaxue Cao e Wo Wong, 32’ 

Documentário sobre o vencedor do Prémio Sakharov 2019 – Parlamento Europeu. Ilham Tohti é um conhecido defensor uigure dos direitos humanos, professor de economia e defensor dos direitos da minoria uigure chinesa. Durante mais de duas décadas trabalhou incansavelmente para promover o diálogo e a compreensão entre uigures e outros chineses. Como consequência do seu ativismo, em setembro de 2014, foi condenado pela justiça chinesa a uma pena de prisão perpétua após um julgamento-fantoche de dois dias. Apesar da repressão sofrida, continua a ser uma voz da moderação e da reconciliação. Filme exibido em parceria com Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal.

Sala 3
M/12

21h30

Grande Prémio Ambiente CineEco 2020

Sessão de encerramento

Injustiça” / Grit, de Cynthia Wade & Sasha Friedlander, 80’ – EUA/Indonésia/Dinamarca

Quando Dian tinha seis anos de idade, ela ouviu um estrondo profundo e virou-se para ver um tsunami de lama que vinha em direcção a sua aldeia. A sua mãe pegou nela para a salvar da lama fervilhante. Os vizinhos correram para salvar as suas vidas. Dezesseis aldeias, incluindo as de Dian, foram varridas para sempre, enterradas sob 18 metros de lama. Uma ao fim de uma década, 60.000 pessoas tinham sido deslocadas daquela que antes era uma área industrial e residencial em Java Oriental. Dezenas de fábricas, escolas e mesquitas estão completamente submersas sob uma paisagem lunar de lodo e areia. A causa? A Lapindo, uma empresa indonésia que explora gás natural.

Parceria: Extensão Festival CineEco
Sala Manoel de Oliveira
M/12

Todos os dias

2050 de Carolina Maria

Exposição

Vários estudos sobre o planeta e as alterações climáticas prevêem que em 2050 viveremos sob condições extremas, num cenário inédito. Como será a nossa alimentação em 2050?  Que tipo de produtos consumiremos? De que será feita a nossa gastronomia? Esta exposição é um delírio ilustrado sobre a comida do futuro… e sobre o resto. “2050” foi originalmente criada para integrar um ciclo de exposições com o tema “Gastronomia e o Resto”, a convite do Museu Quinta da Cruz em Viseu. Reflete sobre um futuro distópico e atroz.

Ficha Técnica

Autores: Associação Isonomia | Co-Produção: EGEAC e Produtores Associados | Parceiros Institucionais: Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal • Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto • Instituto Português do Desporto e Juventude • Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade • Cine Eco/Município de Seia | Media Partner: RTP | Apoios: FCB Lisboa, Bro e Segunda Segunda • Horto do Campo Grande

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