Programação Torres Vedras – 28 de novembro

O Festival Política irá decorrer pela primeira vez em Torres Vedras, nos dias 28 e 29 de novembro de 2026. Durante dois dias, o festival ocupará o Centro de Artes e Criatividade e o Teatro-Cine, com um programa que combina expressão artística e participação cívica. Todas as atividades têm entrada gratuita.

Em 2026, o Festival Política tem como tema central a «Constituição», assinalando os 50 anos da Constituição da República Portuguesa. A iniciativa pretende promover a reflexão sobre os valores democráticos, os direitos fundamentais e o percurso coletivo do país ao longo das últimas décadas.

Os espetáculos contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. Fica a par da programação de sábado, 28 de novembro, no Centro de Artes e Criatividade e no Teatro-Cine.

10h30 — Oficina para crianças e famílias

A Constituição em Cartas (um baralho ilustrado sobre direitos, liberdade e imaginação)

Centro de Artes e Criatividade

A partir de artigos e princípios da Constituição da República Portuguesa, convidamos crianças e famílias a criar um baralho coletivo de cartas ilustradas, inspirado em ideias como liberdade, igualdade, educação, habitação, participação e cuidado pelo outro.

Cada participante transforma um direito, valor ou princípio constitucional numa imagem, personagem, símbolo ou pequena narrativa visual, utilizando desenho, pintura, colagem e técnicas mistas.

A oficina procura traduzir conceitos muitas vezes abstratos e difíceis de compreender em experiências criativas, sensíveis e acessíveis às crianças, aproximando-as de temas ligados à cidadania, aos direitos humanos e à vida em comunidade através da imaginação e da criação artística. Oficina dinamizada pela Casa Voadora (Torres Vedras).

Inscrições gratuitas: participa.politica@gmail.com.

Caso necessites de interpretação em Língua Gestual Portuguesa, indica-o no momento da inscrição.

Público-alvo: crianças e famílias (a partir dos 6 anos).

15h00 — Oficina

Mapeamento Coletivo, dinamizada por António Brito Guterres

Centro de Artes e Criatividade

O Mapeamento Afetivo, dinamizado pelo investigador e assistente social António Brito Guterres, centra-se na cartografia colaborativa e participativa do bairro da encosta de São Vicente, dando voz às narrativas e experiências dos moradores. Este exercício propõe uma alternativa aos mapas oficiais, destacando as vivências, memórias e emoções dos moradores de zonas periféricas. Assume-se, assim, como um instrumento de encontro entre os moradores e os poderes públicos.

Inscrições gratuitas: participa.politica@gmail.com.

Caso necessites de interpretação em Língua Gestual Portuguesa, indica-o no momento da inscrição.

17h00 — Cinema

Centro de Artes e Criatividade

«Solo de Vidro», de Jonathan Leggett e Achiraf Djakpa — 22 min. (Portugal e Suíça)

Kleyton é um jovem adolescente que sonha um dia tornar-se dançarino. Junior, por sua vez, sonha em ser futebolista. Ambos vivem em bairros periféricos de Lisboa: Cova da Moura e Reboleira.

«Áudios de Casa», de Bianca Rêgo — 11 min. (Portugal)

Uma mãe envia áudios pelo WhatsApp à filha, que se mudou para outro continente e atravessa momentos difíceis. No seu diário, a filha regista as suas impressões sobre Portugal e os seus sentimentos contraditórios em relação ao país. «Áudios de Casa» é sobre a relação entre uma mãe e uma filha, mas poderia ser sobre qualquer mãe e qualquer filha.

«Entre cães e lobos», de Khalissa Akadi e Mathilde Sauvère — 13 min. (Portugal e Suíça)

No Fim do Mundo, um dos bairros de Lisboa, o coração de Leo está em chamas. Quando Odair Moniz é assassinado, Leo recusa-se a permanecer em silêncio. Quer compreender, agir, vingar-se e transformar. Mas como pode iniciar uma revolução? Como pode fazer ouvir a sua voz? Entre uma vontade feroz de viver, esperanças ardentes, um desejo de revolta e a necessidade de agir, Leo traça um caminho para a resiliência.

Todos os filmes estão legendados em português.

18h00 — Teatro

«Santa Bárbara dos Trovões», de Alice das Neves

Local a anunciar em breve

«Santa Bárbara dos Trovões» é um retrato realista da comunidade do Oeste durante o século XX. Uma viagem poética pela vida da mulher casada, da mulher alfabetizada — a única em vários quilómetros, como tantas vezes acontecia —, da mãe e da vizinha numa pequena aldeia torriense. Em 1974 rompe-se com 48 anos de escuridão, e em 1976 as suas liberdades valem tanto como as do marido. São registadas, têm valor oficial. A partir daí, o voto dela conta inteiramente, e é ela própria que o preenche.

Um solo documental que recupera vivências e testemunhos de uma comunidade saloia. Histórias reais da infância de alguns e do envelhecimento de outros, pelas quais todos passámos. «Santa Bárbara dos Trovões» explora a natureza do povo do Oeste através de uma visão artística que nem sempre lhe foi conferida. As pessoas do Oeste são as personagens da peça.

O espetáculo conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

21h30 — Humor

«O que importa é participar», espetáculo de humor de Hugo van der Ding

Teatro-Cine de Torres Vedras

O que importa, como sabemos, é participar, ainda que, por vezes, não levemos a taça para casa.

A História de Portugal está cheia de participações especiais. Como daquela vez em que os padres se passaram com o rei e o puseram a andar (1245). Ou quando o povo de Lisboa mandou o bispo de Lisboa em voo pela janela da Sé (1383). Ou aquela vez em que as fiandeiras do Porto se revoltaram contra o rei, que era espanhol (1629). Ou quando, no Brasil, Zumbi dos Palmares lançou a luta contra os portugueses (1695). Ou quando os trabalhadores das obras do Palácio de Mafra cruzaram os braços até que lhes pagassem o que lhes deviam (1732). Ou quando os pescadores de Olhão se revoltaram contra as tropas francesas (1808). Ou quando um grupo de mulheres do Norte quis, à força, enterrar uma velha numa igreja (1846). Ou quando os tipógrafos de um jornal fizeram a primeira greve fabril em Portugal (1849). Ou quando umas curandeiras burlonas chinesas quase derrubaram a República (1911). Ou quando andou tudo à batatada por causa da falta de batatas (1917). Ou quando, contra a ditadura do Estado Novo, se assaltou um barco (1961), um avião (1961) e um banco (1967). Terminando tudo, faz agora cinquenta e dois anos, num dia inicial inteiro e limpo (1974).

Com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.