Programação Coimbra — 14 de novembro
O Festival Política regressa ao Convento São Francisco entre os dias 12 e 14 de novembro. Fica a par da programação do dia 14 de novembro (sábado). A entrada é gratuita. Todos os espetáculos têm interpretação para Língua Gestual Portuguesa. Todos os filmes, incluindo os falados em português, estão legendados em português.
15h · Oficina
Participação cívica e ativista das pessoas com deficiência em Coimbra
Local: Foyer
Em Portugal, cerca de 1,1 milhão de pessoas vive com algum tipo de incapacidade (dados do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, 2023). Estas pessoas pertencem a todas as camadas da sociedade. São mulheres, pessoas racializadas, pessoas LGBTQIA+, entre muitos outros. Contudo, raramente sentimos a sua presença ou ouvimos as suas vozes, com exceção de quando se fala da sua deficiência, muitas vezes como “história de coitadinho” ou “história de superação” – com o objetivo de “inspirar” as pessoas sem deficiência. Partindo da análise do contexto atual português relativamente à realidade das pessoas com deficiência, Inês Simões propõe expor e analisar as barreiras impostas sobre as pessoas com deficiência na sociedade portuguesa, barreiras essas que as impedem de usufruir plenamente dos direitos defendidos pela nossa Constituição, tais como direito ao voto, à autodeterminação e à educação. A oficina será conduzida pela psicóloga e ativista Inês Simões, vencedora do concurso de bolsas para jovens artistas, criadores e ativistas promovido pelo Festival Política.
Com interpretação para Língua Gestual Portuguesa.
15h30 · Apresentação
Eu Fui ao Mar às Laranjas, de Música Portuguesa a Gostar Dela Própria
Local: Café Concerto
Eu Fui ao Mar às Laranjas é um projeto da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP) que nasce da urgência de registar e dar a conhecer saberes que nos pertencem; o legado e o contemporâneo, o outrora e o agora unem-se com vista a criar um verdadeiro impacto cultural e social no nosso país. Cada gravação acarreta consigo um trabalho de proximidade e de escuta ativa; geram-se novos diálogos e aprendizagens que formam um atlas comum criativo e humano. Sendo urgente dar continuidade a este trabalho de arqueologia humana, o projeto visa não só manter gravações no terreno, focadas no cariz etnográfico de cada lugar, como poder recorrer a um tratamento dos dados que faça jus às relíquias encontradas pelo país inteiro.
Com interpretação para Língua Gestual Portuguesa mediante solicitação através do email participa.politica@gmail.com, até 72 horas antes do evento.
17h · Cinema
“Salatinas”, de Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira, 90’ (Portugal)
Local: Blackbox
Na década de 1940, cerca de três mil pessoas foram expulsas da Alta de Coimbra para dar lugar à então chamada Cidade Universitária. Este documentário é o testemunho dos últimos sobreviventes dessa comunidade e de uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal, realizado num tempo em que desalojamentos forçados, falta de acesso à habitação e segregação social ainda fazem manchetes. Uma viagem à memória do bairro histórico varrido do mapa sob o ímpeto renovador do regime, arrastando para o esquecimento o burburinho de estudantes, tricanas, merceeiros e alfaiates que se esconde por baixo de imponentes faculdades. Um filme sobre pessoas, mas também sobre poder, resistência, identidade e o preço do progresso.
Filme legendado em português.
18h30 · Conversa e música
Depois dos Salatinas, que comunidade existe hoje na Alta de Coimbra?
Local: Café Concerto
Os realizadores Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira partilham o percurso e impacto do documentário “Salatinas – Histórias da Velha Alta de Coimbra”, estreado em junho de 2025, e moderam uma Roda de Conversa sobre o local onde tudo aconteceu com quem o habita hoje. Estudantes, repúblicos, descendentes de salatinas são convidados/as desta sessão aberta ao público geral. A transformação da Alta de Coimbra mostra que a cidade não é neutra; ela resulta de escolhas políticas. Sendo a Constituição da República Portuguesa o tema desta edição do Política, não poderão faltar nesta discussão os direitos das pessoas perante o poder do Estado, o direito à habitação e à dignidade humana e o Estado de direito democrático. Propõe-se um exercício de memória cívica: recordar uma injustiça urbana para refletir sobre o presente e como a Constituição protege hoje a participação, a igualdade e a salvaguarda da dignidade das comunidades. A sessão contará com a participação especial do rapper Gonçalo Guiné, cujos temas refletem tanto inquietações pessoais como observações sobre a sociedade e o mundo que o rodeia.
Com interpretação para Língua Gestual Portuguesa mediante solicitação através do email participa.politica@gmail.com, até 72 horas antes do evento.
19h15 · Sessão de Cinema Entre Continentes
Local: Blackbox
“Áudios de Casa”, de Bianca Rêgo, 11’ (Portugal)
Uma mãe envia áudios pelo WhatsApp para a filha, que se mudou para outro continente e passa por momentos difíceis. No seu diário, a filha escreve as suas impressões sobre Portugal e os seus sentimentos contraditórios em relação ao país. “Áudios de Casa” é sobre a relação entre uma mãe e uma filha, mas poderia ser sobre qualquer mãe e qualquer filha.
“Sabura”, de Falcão Nhaga, 25’ (Portugal)
Nesta história de amor, um jovem casal é confrontado com um futuro incerto. Entre a Europa e África, os dois reencontram-se em Lisboa, numa casa onde vivem outros imigrantes, e onde a distância e a proximidade irão testar a sua relação.
“Fogo Abismo”, de Roni Sousa, 12’ (Brasil)
Através de fotografias de família, imagens de arquivo e imagens fabuladas, emergem gradualmente fragmentos de uma infância em Vila Rabelo, uma favela na capital do Brasil. Memórias de afeto, ausência, fogo e sobrevivência desenrolam-se até que a narração revela ser uma carta escrita em 2002. À medida que passado e presente se entrelaçam, memórias pessoais são reconstruídas através do cinema, numa procura de pertença.
Filmes legendados em português.
21h30 · Concerto-conversa
“Artigo por Artigo” — Concerto-conversa entre Selma Uamusse e Cláudia Semedo
Local: Grande Auditório
Duas pessoas que fazem da palavra e da música instrumentos de transformação encontram-se para um concerto-conversa construído a pensar nos 50 anos da Constituição portuguesa. Selma Uamusse apresenta-se com canções que servem de ponto de partida para uma conversa a duas vozes, acompanhada pela atriz e apresentadora Cláudia Semedo. A partir da música, as duas protagonistas cruzam memórias, dúvidas e certezas: o que significam os direitos proclamados no texto constitucional e as desigualdades que atravessam o quotidiano. Um espetáculo íntimo sobre o que a Constituição promete e sobre o que ainda falta cumprir.
Com interpretação para Língua Gestual Portuguesa.
22h30 · Sessão de Cinema Corpos em Trânsito
Local: Blackbox
“Inbecoming, the art of becoming no one”, de Tiago Filipe Gomes Mota, 6’ (Portugal)
Um projeto sobre identidade e autodescoberta. Sobre a busca incessante por mim mesmo em meio à escuridão, entre inúmeras possibilidades. Não busco uma forma final, mas o eco de quem posso ser. Entre o tudo e o nada, encontro apenas o processo interno confuso e caótico, transitório e talvez infinito…
“O Meu Amor do Rancho”, de Miguel De, 18’ (Portugal)
Quando olho para o meu amor, ele olha para o rapaz à sua frente, mas só vemos as costas um do outro. Nunca o rosto. Porque não estamos a dançar todos juntos. Estamos em pares. E nesta dança, o meu amor não existe. Arrasto-o para dentro dela, mas só as costas. E foi pelas suas costas que me apaixonei. As suas costas largas, vestidas com o traje mais bonito do mundo, que são todos os trajes que ele vestia.
“Quem se move”, de Stephanie Ricci, 20’ (Portugal e Brasil)
Ao longo de uma noite, René, uma imigrante brasileira em Lisboa, enfrenta a difícil escolha entre permanecer ilegal numa cidade que se torna cada vez mais estranha ou retornar ao lar do qual fugiu. Os seus conflitos externos e internos entrelaçam-se, revelando as complexidades de viver entre dois mundos.
Filmes legendados em português.



