14 filmes no Convento São Francisco de 12 a 14 de novembro

O Festival Política regressa ao Convento São Francisco entre os dias 12 e 14 de novembro. O Festival Política tem como tema central a Constituição da República Portuguesa, tendo como pano de fundo os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia. A entrada é gratuita. Todos os filmes, incluindo os falados em português, estão legendados em português. Em breve serão divulgados os horários e a programação completa.

12 de novembro – Sessão de Cinema Direito à Cidade

“Lisbone Baas Kora”, de Filipe Barroso, 9’ (Portugal)
Um olhar sobre a comunidade do Bangladesh em Lisboa. Filmado com acesso exclusivo e em colaboração com a comunidade, o filme explora a realidade de quem procura construir uma vida na cidade, entre a adaptação a uma nova cultura, a preservação das raízes e a forma como a sua presença é recebida.

“Um sentimento chamado Carnaval”, de Carlos Mouta Confort, 14’ (Portugal e Brasil)
A par do ritmo vibrante do Rio de Janeiro e da tradição emergente nas ruas, acompanhamos a visão de dois representantes de destaque dos blocos de Carnaval de rua brasileiros, agora presentes em Lisboa. Num país onde o Carnaval ainda não conquistou plenamente o seu lugar no panorama social, este movimento surge como um símbolo de presença migratória, resistência e sentido de liberdade.

“Irregular”, de Júlio Moreira, 10’ (Portugal)
Acompanhamos o dia a dia de Camila Mendonça da Silva, uma artista brasileira que imigrou para
Portugal em busca de segurança, autonomia e qualidade de vida. Apesar de contribuir para o país, vive num limbo legal devido à suspensão das manifestações de interesse, enfrentando precariedade laboral, práticas abusivas e o medo constante da deportação. Através de cenas íntimas na sua casa, das deslocações diárias e do ambiente duro do trabalho em restaurante, o documentário expõe a contradição entre o que Camila mostra e o que sente, revelando um sistema que aceita o imigrante para trabalhar, mas não para pertencer.

“Catálogo de uma Cidade Sem Tecto”, de Diogo Cunha, 16’ (Portugal)
A crise habitacional no Porto. Uma instalação que pretende servir como um catálogo de uma cidade vendida. Onde a cada esquina uma casa é transformada em Alojamento Local, e cada novo canteiro de obras se torna um hotel. Onde vivem os cidadãos do Porto atualmente?

 

13 de novembro – Sessão de Cinema Sonho e Resistência

“Solo de Vidro”, de Jonathan Leggett e Achiraf Djakpa. 22’ (Portugal e Suíça)
Kleyton é um adolescente que sonha um dia tornar-se dançarino. Junior, por outro lado, sonha em ser futebolista. Ambos vivem em bairros periféricos de Lisboa: Cova da Moura e Reboleira.

“A hora do Chico”, de Rafael Sá Carneiro e João Severo, 15’ (Portugal)
Em 1974, Chico, um apresentador querido de um programa infantil de TV ao serviço de um regime autoritário é forçado a tomar a decisão mais difícil da sua vida: assassinar um colega ao vivo ou perder a aprovação do seu poderoso pai.

“Entre cães e lobos”, de Khalissa Akadi e Mathilde Sauvère, 13’ (Portugal e Suíça)
N’O Fim do Mundo, um dos bairros de Lisboa, o coração de Leo está em chamas. Quando Odair Moniz é assassinado, Leo recusa-se a permanecer em silêncio. Ele quer compreender, agir, vingar e transformar. Mas como pode ele iniciar uma revolução? Como pode ele fazer ouvir a sua voz?

 

14 de novembro – “Salatinas”, de Filipa Queiroz, Rafael Vieira e Tiago Cerveira, 90’ (Portugal)

Na década de 1940, cerca de três mil pessoas foram expulsas da Alta de Coimbra para dar lugar à então chamada Cidade Universitária. Este documentário é o testemunho dos últimos sobreviventes dessa comunidade e de uma das maiores transformações urbanísticas em Portugal, realizado num tempo em que desalojamentos forçados, falta de acesso à habitação e segregação social ainda fazem manchetes. Uma viagem à memória do bairro histórico varrido do mapa sob o ímpeto renovador do regime, arrastando para o esquecimento o burburinho de estudantes, tricanas, merceeiros e alfaiates que se esconde por baixo de imponentes faculdades. Um filme sobre pessoas, mas também sobre poder, resistência, identidade e o preço do progresso.

 

14 de novembro – Sessão de Cinema Entre Continentes

“Áudios de Casa”, Bianca Rêgo, 11’ (Portugal)
Uma mãe envia áudios pelo Whatsapp para a filha, que se mudou para outro continente e passa por momentos difíceis. No seu diário, a filha escreve as suas impressões sobre Portugal e os seus sentimentos contraditórios em relação ao país. “Áudios de Casa” é sobre a relação entre uma mãe e uma filha, mas poderia ser sobre qualquer mãe e qualquer filha.

“Sabura”, de Falcão Nhaga, 25’ (Portugal)
Nesta história de amor, um jovem casal é confrontado com um futuro incerto. Entre a Europa e África, os dois reencontram-se em Lisboa, numa casa onde vivem outros imigrantes, e onde a distância e a proximidade irão testar a sua relação.

“Fogo Abismo”, de Roni Sousa, 12’ (Brasil)
Através de fotografias de família, imagens de arquivo e imagens fabuladas, emergem gradualmente fragmentos de uma infância em Vila Rabelo, uma favela na capital do Brasil. Memórias de afeto, ausência, fogo e sobrevivência desenrolam-se até que a narração revela ser uma carta escrita em 2002. À medida que passado e presente se entrelaçam, memórias pessoais são reconstruídas através do cinema, numa procura de pertença.

 

14 de novembro – Sessão de Cinema Corpos em Trânsito

“Inbecoming, the art of becoming no one”, de Tiago Filipe Gomes Mota, 6’ (Portugal)
Um projeto sobre identidade e autodescoberta. Sobre a busca incessante por mim mesmo em meio à escuridão, entre inúmeras possibilidades. Não busco uma forma final, mas o eco de quem posso ser. Entre o tudo e o nada, encontro apenas o processo interno confuso e caótico, transitório e talvez infinito…

“O Meu Amor do Rancho”, de Miguel De, 18’ (Portugal)
Quando olho para o meu amor, ele olha para o rapaz à sua frente, mas só vemos as costas um do outro. Nunca o rosto. Porque não estamos a dançar todos juntos. Estamos em pares. E nesta dança, o meu amor não existe. Arrasto-o para dentro dela, mas só as costas. E foi pelas suas costas que me apaixonei. As suas costas largas, vestidas com o traje mais bonito do mundo, que são todos os trajes que ele vestia.

“Quem se move”, de Stephanie Ricci, 20’ (Portugal e Brasil)
Ao longo de uma noite, René, uma imigrante brasileira em Lisboa, enfrenta a difícil escolha entre permanecer ilegal numa cidade que se torna cada vez mais estranha ou retornar ao lar do qual fugiu. Os seus conflitos externos e internos entrelaçam-se, revelando as complexidades de viver entre dois mundos.