Programação Lisboa ― 24 de setembro
O Festival Política regressa a Lisboa em 2026, entre os dias 24 e 26 de setembro, com atividades gratuitas em vários espaços da freguesia de São Vicente. Em breve teremos mais novidades, incluindo a localização das atividades.
Em 2026, o Festival Política terá como tema central a Constituição da República Portuguesa, tendo como pano de fundo os 50 anos da aprovação da primeira Constituição da Democracia. Fica a conhecer a programação do dia 24 de setembro (quinta-feira).
17h ― oficina-debate
Mapeamento Coletivo do Bairro Azul, com António Brito Guterres e moradores
O mapeamento afetivo dinamizado pelo investigador e assistente social António Brito Guterres foca-se na cartografia colaborativa e participativa do Bairro Azul, dando voz a narrativas e experiências dos moradores. Este exercício revoluciona os mapas oficiais ao destacar vivências, memórias e emoções de moradores de territórios invisibilizados e assume-se como um instrumento de encontro entre moradores e poderes públicos.
19h ―Cinema: Direito à Cidade
“Lisbone Baas Kora”, de Filipe Barroso, 9’ (Portugal)
Um olhar sobre a comunidade do Bangladesh em Lisboa. Filmado com acesso exclusivo e em colaboração com a comunidade, o filme explora a realidade de quem procura construir uma vida na cidade, entre a adaptação a uma nova cultura, a preservação das raízes e a forma como a sua presença é recebida.
“Um sentimento chamado Carnaval”, de Carlos Mouta Confort, 14’ (Portugal e Brasil)
A par do ritmo vibrante do Rio de Janeiro e da tradição emergente nas ruas, acompanhamos a visão de dois representantes de destaque dos blocos de Carnaval de rua brasileiros, agora presentes em Lisboa. Num país onde o Carnaval ainda não conquistou plenamente o seu lugar no panorama social, este movimento surge como um símbolo de presença migratória, resistência e sentido de liberdade.
“Irregular”, de Julio Moreira, 10’ (Portugal)
Acompanhamos o dia a dia de Camila Mendonça da Silva, uma artista brasileira que imigrou para Portugal em busca de segurança, autonomia e qualidade de vida. Apesar de contribuir para o país, vive num limbo legal devido à suspensão das manifestações de interesse, enfrentando precariedade laboral, práticas abusivas e o medo constante da deportação. Através de cenas íntimas na sua casa, das deslocações diárias e do ambiente duro do trabalho em restaurante, o documentário expõe a contradição entre o que Camila mostra e o que sente, revelando um sistema que aceita o imigrante para trabalhar, mas não para pertencer.
“Catálogo de uma Cidade Sem Tecto”, de Diogo Cunha, 16’ (Portugal)
A crise habitacional no Porto. Uma instalação que pretende servir como um catálogo de uma cidade vendida. Onde a cada esquina uma casa é transformada em Alojamento Local, e cada novo canteiro de obras se torna um hotel. Onde vivem os cidadãos do Porto atualmente?
21h30 ― teatro
“Príncipe do Gueto”, de Roni Sousa
É uma tragédia contemporânea que mergulha na trajetória de um jovem atravessado por forças sociais, familiares e simbólicas que moldam — e limitam — seu destino. Estruturada em três atos, a peça acompanha a herança de um pai migrante, a formação de um filho na periferia de Brasília e a repetição de ciclos de violência, desejo e sobrevivência. Entre o sertão e a cidade, entre o trabalho duro e a promessa de ascensão, o espetáculo constrói uma narrativa marcada pela tensão entre expectativa e realidade. Com linguagem direta e imagética, “Príncipe do Gueto” articula memória, corpo e território para revelar como pequenas decisões, somadas à precariedade estrutural, podem conduzir a desfechos irreversíveis. A obra apoia-se numa encenação que transita entre o realismo e a fabulação, incorporando elementos sonoros, projeções e deslocamentos temporais para construir um universo sensorial e político. No centro da cena, está o personagem Príncipe — um jovem que busca nomear-se a si mesmo diante de um mundo que insiste em defini-lo. Sua trajetória evidencia as contradições de um sistema que promete mobilidade, mas produz repetição. Mais do que um retrato individual, o espetáculo propõe uma reflexão coletiva sobre pertença, violência estrutural e as formas como a sociedade produz — e abandona — seus próprios “príncipes”. “Príncipe do Gueto” é um convite a olhar de frente para aquilo que muitas vezes se prefere não ver: os mecanismos silenciosos que capturam o sonho e o convertem em um destino inevitável. Dramaturgia e interpretação: Roni Sousa, encenação: Humberto Pedrancini; assistência de encenação: Vanessa Di Farias.



